
O Brasil é um país federado. Ou seja, há um governo central – ou União -, forte e regiões autônomas – por aqui chamadas de estados. O primeiro cuida dos interesses nacionais; os segundos, de demandas próprias.
Mas há incontáveis ligações institucionais entre Governo Federal e estaduais, a partir das quais são distribuídas as funções de cada um. Algumas são privativas da União; outras, compartilhadas com estados.

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Segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e muitas outras áreas são impensáveis sem a visão conjunta de governo federal e estaduais.
Tomemos o caso do Ceará. Diagnosticar o presente, para projetar o futuro, a partir de um traçado no mapa do Brasil para dentro, é um erro grosseiro.
Somos um dos estados mais pobres e dependentes de políticas públicas nacionais. E nem se não fôssemos. Basta verificar os enormes volumes financeiros que a União precisa injetar nos estados mais ricos do País.
Tudo isso para dizer que estamos à beira de uma campanha eleitoral. Os grupos políticos organizam-se para lançar seus programas de governo.
Agora, a pergunta: pelo exposto acima, faz algum sentido olhar para o Ceará de forma isolada, nesse período decisivo dos rumos do Estado?
Claro que não faz sentido. Então, por que dissociar a caça ao voto que decidirá o próximo governador do Estado da disputa que definirá o próximo presidente da República?
OS PALANQUES DE IVO
Caçula dos Ferreira Gomes, Ivo diz que vai votar no irmão mais velho, Ciro (PSDB), para governador do Estado; para presidente, afirma ser eleitor de Lula.
Como o próprio Ivo disse nas redes sociais, ele bateu o centro. Não ficou claro se o termo se refere à terceira via, onde Ciro afirma atuar.
De toda forma, o anúncio do ex-prefeito de Sobral pode ser o embrião de um movimento que tentará atrair para o tucano o eleitor flutuante – alguns chamam de lulista não-petista.
A estratégia é interessante e é respaldada por pesquisas que testam esse tipo de voto. Talvez por isso, Ciro esquarteja líderes petistas cearenses em praça pública, mas poupa o presidente Lula.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.
