
A finalização das chapas majoritárias dos dois principais grupos políticos cearenses que disputarão o Palácio da Abolição mostra sinais de vitórias e derrotas de ambos os lados – poderão ser determinantes na disputa eleitoral.
Comecemos pela oposição, que primeiramente fechou os nomes dos titulares ao governo e Senado – os quatro suplentes foram anunciados nesta quarta-feira, 5.

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Como aqui dito ontem, a validação do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) do apoio da Federação União Progressista ao candidato Ciro Gomes (PSDB) é uma importante vitória.
Na mesma medida, foi uma derrota para o governo, por não ter conseguido desfalcar o adversário em tempo de propaganda e estrutura para a campanha. Além disso, teve de refazer arranjos políticos.
O nome de Luizianne Lins (PT) ao Senado, por exemplo, voltou à mesa somente depois que a Justiça Eleitoral afastou a possibilidade de outros nomes da federação cobiçada pela base aliada comporem a postulação.
Ciro já vinha de um ganho político importante. No último sábado, 1º, o tucano soube transformar a convenção que o lançou em uma peça de críticas fundamentadas ao modelo de gestão estadual em curso.
No dia anterior, sexta-feira, 31, a oficialização do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição teve muito oba-oba em torno da presença do presidente Lula (PT) e menos força de uma pesada corrida eleitoral que, na prática, já começou.
MULHERES
A presença de duas mulheres na chapa encabeçada por Elmano é, de longe, a principal vantagem governista na formação final do time. Na tropa de Ciro – termo adotado por ele -, não há representante do gênero nem entre suplentes de senador.
Gabriella Aguiar (PSD) para vice-governadora e Luizianne ao Senado são ativos eleitorais da melhor espécie que, bem explorados, podem fazer a diferença na campanha e na urna.
Tanto isso procede que a oposição acusou o golpe desde a convenção, com presença de mulheres no palco, tentando preencher um vácuo político que saltava aos olhos.
Nas redes sociais já há, inclusive, debates sobre gênero, feminismo e feminicídio etc, entre mulheres governistas e oposicionistas – algumas candidatas a deputada.
Anotem: na cotação do dia, são baixas as chances de o cirismo ganhar esse embate público. No máximo, a discussão poderá evidenciar a pecha bolsonarista na oposição.
Para lembrar: o ex-presidente Jair Bolsonaro nunca escondeu de ninguém a vocação para a misoginia. É uma nódoa.
Aqui no Ceará, o PL cometeu, nas últimas eleições estaduais, crime eleitoral com candidaturas femininas fake, na questão das cotas.
Por que tudo isso e outros fatores da composição das chapas majoritárias ao governo do Estado merecem atenção?
Porque muito do que acontecer ao longo da acirrada campanha eleitoral de 2026 terá origem nas articulações e decisões que nos trouxeram até aqui.
Boa quinta.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

