
A bomba detonada nesta terça-feira, 1º, em Brasília, expondo as relações promíscuas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro é do tipo fragmentação – por definição, atinge múltiplos alvos.
No primeiro plano, as revelações supostamente ilegais deixam o Supremo Tribunal Federal (STF) numa encruzilhada. Ao que muito indica, Moraes perdeu condições morais e legais de seguir ministro.

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O segundo grande impacto é na imprevisível campanha eleitoral. Embora o eleitor brasileiro seja ou esteja tolerante a corrupção, o episódio, certamente, mexerá com as disputas presidenciais e estaduais.
Nestas últimas, o caso pega de cheio a corrida ao Senado. Moraes é um velho conhecido alvo bolsonarista. As revelações podem vitaminar candidatos da direita.
IMPEACHMENT OU RENÚNCIA?
Embora pressionado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinaliza não abrir processo de impeachment contra o ministro – há mais de 50 pedidos.
Contudo, surpreenderá ninguém se prosperar a tese de renúncia de Moraes – possibilidade já admitida entre governistas, numa espécie de acordão.
PROCESSO LEGAL
Por ora, é aguardar os protocolos do próprio STF, assim como garantir o devido processo legal – embora o ministro em questão tenha, nos últimos anos, relativizado esse conceito jurídico pétreo.
Mas, como nos lembra operadores do direito, seguir o rito é defender o direito e não defender bandido – embora a fronteira entre um e outro esteja cada dia mais borrada.
Boa quarta.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

