
O governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), está conseguindo deslocar o foco de sua gestão para o principal adversário, Ciro Gomes (PSDB).
Conforme aqui comentado várias vezes, o petista começou a campanha nas cordas, tentando defender-se de uma série de questões – de gargalos do governo a práticas políticas.

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Agora, é Ciro quem está na defensiva, tendo de se explicar por ações de governo de mais de trinta anos atrás – o tucano governou o Estado de 1991 a 1994.
Alheio ao lapso temporal, Elmano corta para 2026 e compara ‘dois Cearás’ que, embora um exista em função do outro, jamais podem ser postos lados a lado.
O correto seria situá-los na linha do tempo. A história do Ceará foi escrita um capítulo por vez – a rigor, remonta a séculos.
Cada governo – Tasso – Ciro – Tasso/Tasso – Lúcio – Cid/Cid – Camilo/Camilo – Elmano -, foi responsável por um pedaço da construção do Ceará atual.
Até um dia desses tínhamos orgulho de dizer isso. Mas aí veio a política…
DEMANDAS ERAM OUTRAS
É importante registrar: há 30 anos, o desafio do Ceará era a erradicação da mortalidade infantil e não cirurgias complexas e especialidades médicas.
Três décadas atrás, éramos um estado de analfabetos. Demandas por escola em tempo integral, ITA no Ceará e faculdade em todos os municípios nem eram cogitadas.
Os conceitos de hidrogênio verde, data center, inteligência artificial e carro eletrificado não eram populares ou ainda sequer existiam.
À época, o turismo no Ceará era sol e barraca de praia – quando não predatório e de exploração sexual.
Sem um bom aeroporto e outras infraestruturas, não se vislumbrava trade de eventos, negócios e experiências em geral.
GOVERNO PREMIADO
O fato é que estamos em plena e truculenta campanha eleitoral – uma das mais pesadas desde a redemocratização.
Elmano parece estar conseguindo vender o principal oponente como desinformado ou desatualizado sobre o Ceará. De novo. Em termos estratégicos, está correto.
Mas, há mais de trinta anos, teleaulas e videocassetes em escolas, assim a construção de acanhados equipamentos de saúde municipais, eram as demandas do tempo.
Sempre que é exposto a tais comparações, Ciro se justifica a contragosto.
Assim como muitos da época – ou a quem chegaram relatos -, o tucano sabe que não é essa a síntese do premiado governo dele.
Trata-se, por vezes, apenas de uma isca lançada por Elmano, para a qual Ciro, ao que parece, não se preparou.
ATENÇÃO: pode ser por aí o caminho por onde o governo tentará desconstruir Ciro.
Se já não estiver conseguindo.
Boa noite.

