
Na edição do último 30 de julho, aqui dissemos uma obviedade: vai ganhar a eleição para governador do Ceará quem melhor vender o futuro.
Mas, como em tempos políticos sombrios, até a obviedade é atacada, a constatação ululante não foi bem recebida. Pelo contrário.

Quem é Erivaldo Carvalho
Siga o Poder News no Instagram
Governistas, particularmente, vieram para cima, dizendo que o candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), tinha muitos resultados a mostrar. Ou seja, a estratégia seria explorar o presente.
Em paralelo, o opositor Ciro Gomes (PSDB), por sua vez, surfava no sentimento de mudança, captado por pesquisas eleitorais.
E quem quer mudança está pensando no… futuro. Daí a projeção, à época, de vitória fácil do tucano sobre o petista.
TEMPORADA DE DEBATES
Veio, então, a temporada de debates na TV entre os dois oponentes. Nesta terça-feira, 15, ocorreu a quarta edição – desta vez promovida pelo Sistema Jangadeiro de Comunicação e portal UOL.
Dois pontos. Primeiro: em nenhum deles, Ciro atropelou Elmano, como cravavam apoiadores e fãs do ex-ministro. Segunda questão: Elmano está sendo, no máximo, candidato do presente.
Ao longo dos debates, Elmano vem conseguindo pregar em Ciro a pecha de político desatualizado e desinformado, que olha para um Ceará de trinta anos atrás, quando foi governador.
A estratégia foi motivo de análise da Coluna, na edição do último dia 10, cujo título, Em defesa de Ciro, demandas são filhas de seu tempo, mostra que Elmano não é justo, mas acerta na tática política.
OS DOIS PATINAM
Pedir mais quatro anos de mandato ao fim de uma gestão com problemas graves, a exemplo da segurança pública, não é fácil. Ciro, porém, como veremos abaixo, não tira vantagem disso.
Elmano agarra-se ao ITA-CE, hidrogênio verde, data centers, inteligência contra facções e medicina terciária, mas não consegue colocar tudo em um único envelope e entregar como projeto de futuro.
A vantagem do petista é que Ciro também não consegue se sair bem nesse do confronto de ideias. Em todas as frentes, Elmano o empurra para um túnel do tempo, de onde o tucano, patinando, não consegue sair.
Assim como espaço, tempo é relativo. Daí podemos dizer que Elmano, mesmo com os pés amarrados no presente de seu governo, acaba posando de líder do futuro, já que, para ele, Ciro estacionou nos anos 1990.
Traduzindo para termos gramaticais, é como se, enquanto Ciro estivesse preso ao passado, o candidato à reeleição fosse um personagem do futuro do pretérito.
A TAREFA
Prolixo, Ciro perde muito tempo explicando a explicação. Talvez por excesso de informação, misturado à alta expectativa em debates, o opositor não esteja passando a firmeza esperada.
As piadinhas desta terça, sobre VAR, pênalti cavado etc, também são dispensáveis. Se ninguém tem coragem de dizer isso a ele, está dito.
Quem assistiu aos debates, sem as pitorescas paixões eleitorais de ocasião, viu, na média, um candidato a governador, aparentemente, nervoso, gaguejando muito e sem saber administrar o tempo.
Reverter essa atuação de Ciro é a tarefa, para ontem, que deve ser entregue aos muito bem pagos consultores da campanha do PSDB.
Ciro está irreconhecível? Não chega a tanto. Mas quem o conhece espera muito mais.
Boa quarta-feira.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

