
O Datafolha já cometeu erros grosseiros. Um dos mais conhecidos ocorreu em 2012, na reeleição do então prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (estava no PSB).
Na véspera do 1º turno, o candidato Heitor Férrer (à época PDT) aparecia com 15% das intenções de voto; na urna, obteve 20,97%. Em sentido contrário, Moroni Torgan (do extinto DEM) foi de 19% para 13,75%.

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Mesmo com essa e outras derrapadas feias, o instituto ainda tem relativo respaldo junto a políticos e setores da opinião pública nacionais. Isso, sem entrar no mérito de outras empresas que também fazem pesquisas.
Tudo isso para dizer que os comentários a seguir se fiam nos últimos levantamentos do Datafolha para o governo do Estado. Vamos lá.
DE 19 PARA 7 PONTOS DE DIFERENÇA
Vamos considerar os últimos três levantamentos – o último da pré-campanha e os dois primeiros da campanha, propriamente.
No dia 13 de agosto, o principal candidato da oposição, Ciro Gomes (PSDB), tinha 52%, contra 33% do governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).
No dia 3 de setembro, Ciro desceu seis pontos percentuais (pp) e foi a 46%. Elmano subiu 4 pp e chegou a 37%. Ou seja, a diferença de 19 pp caiu para 9 pp.
Nesta sexta-feira, 18, o tucano oscilou 1 pp, positivamente, dentro da margem de erro, e aparece com 47%; o petista movimentou-se, para cima, no limite da margem de erro de 3 pp e está com 40%.
Em síntese, a diferença entre Ciro e Elmano encolheu 12 pp – de 19 para 7 -, em cinco semanas.
Os índices espontâneos são ainda mais claros. Ciro saiu de 28% no dia 13 de agosto para 33% nesta sexta – subiu 5 pp. No mesmo intervalo, Elmano saiu de 20 pp para 30 pp – dez pontos, o dobro do adversário.
A retrospectiva – ou filme, como costumam chamar os gurus da área -, mostra um claro movimento de evolução do governador e estabilidade do ex-ministro.
QUESTÃO DE TEMPO
Estamos a duas semanas de 4 de outubro, dia de votação do primeiro turno. Até lá, Ciro e Elmano têm o tempo como principal variável.
Ciro esforça-se para manter a performance e quer que os próximos 15 dias passem rapidamente. Já Elmano corre contra o calendário, tendo de otimizar a campanha até o primeiro domingo de outubro.
Claro que o movimento de subida de Elmano e a estabilidade de Ciro não serão, necessariamente, retilíneos. Pode haver zigue-zague. Mas essa não é a tendência.
Numa metáfora futebolística, time que está ganhando não pode deixar empatar e ir para prorrogação – isso vira pesadelo.
Sabemos do peso e diferencial político-eleitoral da máquina, caso a disputa estenda-se até 25 de outubro. Esse é um cenário de alto risco para Ciro.
FATORES NACIONAIS
A não ser – e isso deve ser considerado -, se o presidente Lula, principal cabo eleitoral de Elmano, num hipotético 2º turno, perder o controle da situação que estremece Brasília e descer nas pesquisas.
Há sim, essa possibilidade.
Fora isso e na perspectiva do que vem captando o Datafolha, é razoável supor que as melhores chances de Ciro ser eleito governador estão no primeiro turno.
Considerando-se, obviamente, que o instituto não repita a patacoada de 14 anos atrás.

