
Ainda sobre Ciro Gomes. O candidato derrotado ao governo do Ceará soltou uma nota amargurada sobre o resultado da votação e sumiu. O mergulho do tucano, entretanto, permite algumas observações.
A primeira delas é a expectativa sobre a campanha do segundo turno presidencial. Por gravidade, Ciro deveria anunciar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), conforme aqui já comentado.

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Mas há outros aspectos. Muitos apoiadores de Ciro com mandato parlamentar também perderam a eleição. Outros, já sem mandato, continuarão fora do poder por pelo menos dois anos.
Diferentemente do grupo governista, a oposição teve Ciro como a principal referência política e eleitoral da campanha, sem ninguém ameaçar, nem de longe, sombrear a relevância do tucano.
O resultado eleitoral apertado é uma prova cristalina disso.
Mas o fato é que o grupo, se assim puder ser definido, ficou refém de Ciro.
Tanto que o naufrágio foi quase geral. Na média, portanto, os ciristas derrotados ficaram órfãos. O silêncio de Ciro aprofunda esse sentimento.
A candidatura de Ciro ao governo foi construída passo a passo. Encontro a encontro. Aos poucos, o ex-ministro construiu a base política que lhe permitiu entrar na disputa. Mas a decisão final coube a ele.
Isso significa que o fato de ele não ter sido obrigado a se candidatar o deixa em débito com seus apoiadores? Sim e não.
Um líder tem responsabilidades intrínsecas. Irrenunciáveis. Daí o incômodo com a mergulhada de Ciro.
Por outro lado, o desfecho para todo o grupo opositor foi fruto de escolhas – dos próprios candidatos e do eleitor.
Toda eleição tem pelo menos dois resultados – vitória ou derrota. Todos sabiam disso.
Por último: sem Ciro emergir, a ideia de grupo político de oposição vai virar fumaça mais rapidamente do que muitos pensam.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


