
O Senado Federal barrou a indicação do advogado Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 34 votos a favor, 42 contra e 1 abstenção. Era necessário o apoio de 41 senadores.
O resultado já é apontado como a maior derrota do presidente da República no último ano deste terceiro mandato. O petista é pré-candidato à reeleição.

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O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também entra na lista. Daqui em diante, a relação entre o comando da Casa e o Palácio do Planalto não deverá ser a mesma.
Messias foi barrado na primeira votação relevante do governo Lula no Congresso Nacional na gestão de José Guimarães (PT-CE) à frente da articulação política.
Os números podem quantificar a fraqueza política por que passa do presidente da República, que vem colecionando recordes de reprovação popular.
Vexame político
O placar também vislumbra escalada da crise institucional entre os Poderes da República. O vexame político do Planalto já é visto para além da disputa presidencial polarizada.
A rejeição ao nome de Messias para o Supremo é o primeiro episódio do tipo desde a redemocratização do País – a rigor, ocorreu uma rejeição no Império (1894).
Uma das teses até agora ventiladas em Brasília é o fato de o candidato na Corte ser, naturalmente, o ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Lula insistiu no chefe da Advocacia Geral da União (AGU) e empurrou Pacheco para pré-candidatura ao governo de Minas Gerais.
Pacheco também deve entrar no radar dos personagens por detrás da derrota de Lula. O mineiro queria ser ministro e tem bom trânsito no Senado.
Recados ao Supremo
No exato momento em que Alcolumbre anunciava o placar inédito, os gritos de “rejeitado” da oposição explodiram nas janelas de vidro do próprio STF.
Sim. O resultado é contabilizado como forte derrota do próprio STF, que nos últimos anos vem medindo força com o Parlamento.
Em recado direto aos ministros, o pré-candidato aa Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-SP) disse que o placar de hoje ainda não é suficiente, mas é o começo para a abertura de processo de impeachment contra membros da Corte.
Dirigindo-se, diretamente, ao presidente do Supremo, Edson Fachin, Flávio sugeriu que o STF faça os rearranjos internos que o Senado vem reivindicando.
Um dos pontos citados pelo pré-candidato presidencial foi o fim do inquérito das Fake News, que já passa de seis anos. “Já deu”, enfatizou.
“Nós sabemos quem foi”
Grande vitoriosa até aqui, a oposição ao governo Lula no Senado afirma haver pouco espaço, ainda este ano, eleitoral, para o governo encaminhar outro nome.
O mais certo, por enquanto, é que já está aberta a temporada de caça às bruxas por parte do governo, que teria aberto as torneiras financeiras nas vésperas da votação.
“Tentaram me desconstruir. Fizeram de tudo para me descontruir. Mas nós sabemos quem foi”, disse Messias, pouco tempo depois do resultado.

