
Pressionado por pesquisas eleitorais, que mostram competitividade do pré-candidato Ciro Gomes (PSDB), o governo tentará calibrar o discurso para desconstruir o tucano.
Uma das estratégias testadas, até aqui, é a nacionalização da campanha – o que, na visão do Palácio da Abolição, joga Ciro no colo do bolsonarismo.

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Embora reduzido, o capital político de Lula no Nordeste – particularmente, no Ceará -, ainda é visto como suficiente para mais uma vitória. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Para isso, PT e associados vincularão o ex-ministro a André e Alcides Fernandes, Inspetor Alberto – os três do PL -, Capitão Wagner (União Brasil) e outros políticos cearenses, bolsonaristas de carteirinha.
SEM PL, CIRO PERDE FORÇA
A favor da tese governista há o fato de o PL ser o principal aliado do PSDB no Ceará.
O partido tem pré-candidato ao Senado, maior tempo no rádio e TV, é forte nas redes sociais, tem capilaridade eleitoral e muito dinheiro.
Ou seja, como aqui já dito, sem o PL, Ciro reduz o alcance. Ele sabe disso e, por isso, avalia que vale a pena o constrangimento e a incoerência política.
Sim, Ciro já disse cobras e lagartos contra o mito – hoje inelegível, preso e doente. Eis, inclusive, um dos motivos para Michele Bolsonaro não querer ver o tucano nem pintado de ouro.
OS DOIS LADOS TÊM RAZÃO
Mas o pau que dá em Chico dá em Francisco. Os governos do PT – aqui e alhures -, não são esses balaios todos de coerência. De Brasília a Sobral, o pragmatismo e o relativismo têm sido a regra geral.
Até agora, os dois lados têm razão quando levantam o dedo um contra o outro. A campanha eleitoral poderá ser uma espécie de gincana para sabermos qual lado é mais incoerente.
Mais um detalhe: Ciro está com munição para bater de frente com o governo Elmano de Freitas (PT). Provavelmente, vai querer discutir os problemas do Estado.
O governador e pré-candidato à reeleição terá, portanto, de se preparar para duas grandes frentes: destacar os resultados da gestão e fazer o enfrentamento político-ideológico.
CONTRAOFENSIVA
Mas Ciro é Ciro. Tudo indica que o pré-candidato a governador não arredará o pé do contorcionismo, para nem espantar eleitores antibolsonaristas moderados nem desagradar os novos aliados.
Nesse sentido, a possível candidatura de Aécio Neves (PSDB) a presidente da República poderá ser uma colher de chá para Ciro. Ele poderá pedir voto para o mineiro, o que seria uma vacina política. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Nessa hipótese, o PL, que pedirá voto para Alcides – provável candidato ao Senado -, terá um palanque nacional específico para o pré-presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
Mas aqui surge uma pergunta boba: os bolsonaristas cearenses apoiarão Ciro, com tudo a que o tucano teria direito, sem exigir o mínimo de lealdade?
Esta e mais uma dúzia e meia de perguntas, de ambos os lados, devem aparecer, ao longo das próximas semanas e meses nas eleições do Ceará.
Quem melhor respondê-las estará no caminho certo para capturar a simpatia e o voto do eleitor.


