
Por uma série de fatores aqui já comentados, a grande diferença de intenções de voto entre Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) não existe mais – pelo menos segundo os principais institutos de pesquisa.
O levantamento do Real Time Big Data, divulgado nesta terça, 8, reforça que houve, nas últimas semanas, aproximação entre os dois principais concorrentes.

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Elmano e Ciro estariam, no mínimo, embolados. No melhor cenário para Elmano, o petista já estaria liderando. Mas é muito cedo para cravar que houve virada.
Vamos aguardar a próxima rodada dos índices de intenção de voto – provavelmente, no início da segunda quinzena de setembro.
CENÁRIO ADVERSO
Mas há algo novo na praça. Ciro, que desde a pré-campanha apresentou-se com robusta liderança, agora poderá ter de encarar cenário adverso. Isso faz toda a diferença.
Liderar pesquisas eleitorais é refino da arte política. O candidato não pode, por exemplo, cair na armadilha da euforia nem ignorar, solenemente, a animação de apoiadores e aliados.
Mas quando, de líder, o concorrente começa a perder terreno na corrida, com a imagem do adversário aumentando no retrovisor, começa o verdadeiro teste.
Poderá ser a situação que Ciro terá de enfrentar, a partir de agora, com todos os riscos que isso pode carregar.
Se o candidato está encolhendo, jogar parado não é uma opção. Pelo contrário. A inércia passa a ser um grave adversário.
REVIGORAR OU AGRAVAR
No caso de Ciro, ele terá de atacar mais, denunciar mais, propor mais, se explicar mais, criar mais bordões? É difícil dizer.
De agora em diante, cada peça mexida pelo principal candidato da oposição tem potencial de revigorá-lo -, assim como de agravar a performance.
Outro ponto importante é o temperamento potencialmente explosivo de Ciro, na hipótese de os próximos números virem mais amargos.
Ciro não tem histórico agradável quando exposto ao estresse. Foi numa dessas que ele soltou a pérola “Meus bolsonaristas são homens honrados” – provavelmente o corte mais usado por governistas.
O cansaço físico e mental também atuam contra. Acirrada e em aberto, campanhas como esta costumam desatar as estribeiras de cada um.
Em situações assim, treinos e orientações passam a pesar cada vez menos. Agir e falar pelo instinto passa a ser não uma questão de “se” – e sim de “quando”.
Nesse sentido, Ciro ainda não foi testado nesta campanha.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

